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terça-feira, 16 de junho de 2026

Em Sociedade: Sua Alteza, o discretíssimo Zé

 A coluna de hoje abre espaço para uma figura que, embora avessa aos holofotes, acabou por render-se — por um breve instante — ao registro exclusivo desta redação.

Não se deixem enganar pelo nome singelo. Chamá-lo apenas de é quase uma irreverência. Há criaturas cuja origem nobre resiste a qualquer tentativa de simplificação. E este felino é uma delas.

De linhagem evidentemente siamesa, dono de uma elegância natural e daqueles inconfundíveis olhos azuis que a natureza resolveu ornamentar com um delicado estrabismo — detalhe que apenas lhe acrescenta charme —, Sua Alteza guarda um passado digno das grandes novelas.

Ainda muito pequeno, foi encontrado num dia de frio cortante e chuva insistente, vagando sozinho por uma movimentada estrada do interior. O destino parecia cruel. Bastariam alguns segundos para que aquele pequeno novelo de pelos desaparecesse sob as rodas de algum veículo.

Mas a Providência, como sabem os leitores desta coluna, costuma escrever melhores roteiros.

Foi então que a família Grando, regressando de viagem, interrompeu imediatamente seu percurso para atender ao inesperado chamado do destino. O pequeno náufrago terrestre estava molhado, coberto de lama e praticamente sem forças. Ninguém poderia imaginar que, sob aquele aspecto miserável, escondia-se um verdadeiro aristocrata.

Conduzido a uma clínica veterinária, recebeu todos os cuidados necessários. Recuperou-se lentamente e, desde então, passou a integrar, oficialmente, a respeitável família Grando.

A adaptação, contudo, nunca lhe retirou certa aura de mistério.

Zé é reservado.

Muito reservado.

Prefere os ambientes silenciosos, aprecia a própria companhia e raramente concede o privilégio de sua presença, mesmo dividindo residência com duas distintas damas felinas: a jovem Alice e a veterana Sophia, senhora de respeitáveis doze anos de idade.

Os observadores mais atentos levantam hipóteses. Haveria lembranças de antigos sofrimentos? Abandono? Maus-tratos? Ou seria apenas o comportamento naturalmente altivo de quem jamais esqueceu pertencer à realeza?

Mistérios...

Fato é que suas aparições públicas são raríssimas.

Razão pela qual merece registro o precioso flagrante obtido pelo eminente jurista Doutor Eduardo Grando, sócio-diretor do tradicional Cestari Grando Advogados, que, gentilmente, colocou à disposição desta redação uma das raríssimas imagens do misterioso aristocrata.

Ali estava Zé, recolhido entre mantas macias, protegido do frio, olhando o mundo com seus inesquecíveis olhos azuis, discretamente vesgos, numa expressão que mistura dignidade, prudência e uma certa indiferença própria daqueles que já conheceram as adversidades da vida e aprenderam a escolher cuidadosamente suas companhias.

À imprensa, como de hábito, Sua Alteza não concedeu declarações.

Perfeitamente compreensível.

Há silêncios que também são uma forma de elegância.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Gatos: sedução e mistério



Meus amigos, são tantos gatos por aqui ultimamente, que este blog — não obstante tenha surgido para homenagear os cachorros e seus donos — não pode deixar de trazer algo especial sobre os sedutores felinos. Há toda uma história que, no fundo, tenta explicar a razão pela qual se ama tanto esses animais lânguidos, individualistas até o egoísmo, indubitavelmente encantadores e invariavelmente belos, elegantes e, não raro, soberbos.

Bem, sendo como são, não espanta que tenham atraído a atenção e adquirido até mesmo fama de animais mágicos. Por conta disso, achei interessante trazer aos queridos leitores e visitantes desse blog algo sobre gatos... de uma fonte verdadeiramente misteriosa. O famoso Dicionário Infernal é uma compilação de lendas, crenças e superstições, a exemplo das grandes obras do enciclopedismo francês. São milhares de monstros, demônios e mitos reunidos. Consultando essa curiosíssima obra (em sua célebre 6ª edição de 1863), descobri que os nossos bichanos têm um histórico, digamos... de arrepiar os pelos!

Se você acha que o seu gato tem "manias estranhas", espere até ver o que as lendas antigas diziam sobre eles.

Na antiguidade, mexer com um gato era problema gravíssimo. O dicionário relata que no Egito Antigo, um soldado romano matou um gato por acidente e, mesmo com o próprio rei tentando acalmar os ânimos, a população revoltada não perdoou o homem. O curioso? Os egípcios eram homens da ciência, tinham a imensa Biblioteca de Alexandria, mas não deixavam de adorar seus felinos!

E por falar em prestígio, reza a lenda que o profeta Maomé tinha tanto respeito pelo seu gato que, ao vê-lo dormindo profundamente sobre a manga de sua veste na hora da oração, preferiu cortar o pedaço da roupa a acordar o bicho. Ao voltar, o gato agradeceu fazendo uma bela reverência de costas arqueadas (o famoso "gato gordo"). Maomé ficou tão tocado que garantiu um lugar para o felino no paraíso e, ao passar a mão três vezes pelas suas costas, deu a todos os gatos o poder mágico de sempre caírem de pé.

Agora está explicado de onde vem tanta agilidade (e audácia)!

Mas nem tudo eram flores. Sendo o Dicionário Infernal, a coisa também fica um pouco assustadora. Antigamente, qualquer reunião de gatos à noite já era vista com desconfiança. O livro narra a história de um castelo abandonado em Vernon, em 1566, onde diziam que bruxas se transformavam em gatos para passar a noite. Quatro homens corajosos decidiram dormir lá e foram atacados por uma multidão de felinos ferozes. No dia seguinte, descobriu-se que algumas mulheres da cidade apareceram machucadas exatamente onde os homens tinham golpeado os gatos! O mesmo aconteceu com um lavrador perto de Estrasburgo: ele se defendeu de três gatos grandes e acabou preso porque o juiz disse que ele tinha agredido "três damas da sociedade". Só foi solto porque provou que, na verdade, eram felinos (e que o diabo estava metido no meio).


E para os marinheiros americanos daquela época, a regra era clara: nunca, em hipótese alguma, jogue um gato vivo ao mar, ou uma tempestade furiosa engolirá o navio na mesma hora!

Como vocês podem ver, os gatos sempre dominaram o mundo — seja no Egito, nas lendas de mistério ou no sofá da sua sala, exigindo sachê como se fossem divindades. Eles mudaram a história, sobreviveram às superstições e continuam encantando os nossos dias (e invadindo este blog!).

E o seu gatinho? Tem cara de quem já frequentou um castelo misterioso ou só quer dormir na sua manga de blusa mesmo? 

 

COLLIN DE PLANCY, Jacques Albin Simon. Dictionnaire infernal: répertoire universel des êtres, des personnages, des livres, des faits et des choses qui tiennent aux apparitions, aux divinations, à la magie, au commerce de l'enfer, aux démons, aux sorciers, aux sciences occultes, etc. 6. ed. Paris: Henri Plon, 1863. 

domingo, 7 de junho de 2026

Porto Alegre em suspense!

Quem pensa que apenas os grandes nomes da sociedade sabem atrair os flashes está muito enganado. A jovem e elegante Alana, herdeira felina da conhecida hair stylist Gil, movimentou os bastidores da vida social nesta semana.

Segundo informações que chegaram à nossa redação, a bela resolveu desaparecer misteriosamente durante alguns minutos, provocando certa apreensão entre admiradores e assessores mais próximos.

O motivo? Uma ousada estratégia de marketing pessoal.

A charmosa gatinha escolheu como esconderijo nada menos que um vaso de flores, acreditando que passaria despercebida em meio à decoração. O plano, entretanto, não resistiu ao olhar atento de sua famosa mamãe, que descobriu o esconderijo e registrou o flagrante exclusivo que publicamos hoje.

Testemunhas afirmam que Alana manteve a compostura diante das câmeras, exibindo o olhar enigmático que já se tornou sua marca registrada.

Entre folhas, sombras e um discreto ar de celebridade surpreendida pelos paparazzi, a pequena estrela confirmou aquilo que a alta sociedade pet já comenta há tempos:

Alana não passa despercebida nem quando tenta se esconder.

Ademais, a gatinha é uma gatinha. E gato escondido é apenas um gato que ainda não foi fotografado.


Beijos para a querida Alana, para a Gil e para a jornalista responsável por trazer esse furo de reportagem à sociedade porto-alegrense! 🐾✨ 

terça-feira, 10 de junho de 2025

Leo, um gatinho muito lindo!

 Este é o Leo, lindo gatinho do meu amigo Hamilton. Ele é irmãozinho do Bubu e, pelo que sei, ambos se dão muito bem. O que impressiona são esses lindo olhinhos azuis. Sem contar da fofurice geral. Que vontade de apertar!

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Irreverência

 Obrigada, Hamilton, pela foto. Sim, gatos sendo gatos.

sábado, 17 de maio de 2025

Zé Simba só quer brincar


quinta-feira, 10 de abril de 2025

Onde estará o gatinho Caolho?

 O gatinho que eu chamava de Caolho sumiu. Todas as noites, olho pela janela e não o vejo mais. Nem pela manhã, quando costumava tomar sol. O que será dele? Sinto sua falta. Há quase um mês que não o vejo. Era uma presença tão solene e discreta. Com exceção de um ou outro miado, com que ele me cobrava o peito de frango cozido na água, coisa que ele parecia gostar tanto, era muito calmo. Penso que pode ter morrido, embora ninguém o tenha visto andando por entre os prédios e sobre os telhados.  Ao lado, a foto mais recente que tenho dele. Está bem ruim, eu sei, porque era noite. Mas é possível ver como ele ficava atento às luzes e janelas. Saudades.

quinta-feira, 13 de março de 2025

Caolho

Caolho, o velho gato que perambula aqui pela vizinhança, agora resolveu que devo lhe servir um jantarzinho todos os dias. 

Veio aos poucos. Aproximava-se meio de longe, sempre que sentia o cheiro de comida. Descobri que gostava de peito de frango desfiado, quando invadiu minha cozinha entrando pela janela. 

Como me assustei, ele fugiu, mas faz plantão desde então a poucos metros da minha janela, todos os dias, chegando pontualmente às 20 horas. 

Ele não mia, apenas me olha fixamente com seu olho bom. Já contei que ele é cego de um olho, pois é bem valente e costuma se meter em brigas com os colegas gatos que também vivem aqui perto. 

De bom que todos eles ganham água e alimentos, porque a vizinhança não deixa faltar nada para eles. E são todos livres, já que não se deixam pegar de jeito nenhum. São mesmo gatos de rua, quase selvagens, caçadores e competitivos. Que dizer? Eu amo animais e não resisto às manhas do Caolho. 

Seguem fotos, afinal, ele é tão bonitinho! E seu olho bom brilha como uma estrelinha. Fico pensando nele em dias de calor intenso, penso nele também quando faz frio, penso na vida insegura que leva. Contudo, a liberdade é um luxo, e acho que ele a aproveita muito bem. Afinal, tem coisa melhor?

terça-feira, 20 de agosto de 2024

Gatos. Uma vez deus...

 Gatos. Como são elegantes e charmosos esses bichos! Encantadores. Mesmo os mais simples, como este, por exemplo, que vive em um mercadinho à beira de uma das estradas que existem na serra gaúcha.  Era 2020, e me lembro bem de ter me encantado com os olhos azuis do bichinho. Deixou-se agradar e pegar. Acredito que até posou para esta fotografia que encontrei hoje, revirando arquivos. Os tons cinzentos e frios da pelagem combinam com a azul do olhos. Sinceramente, ele não parece estar usando um delineador? Impecável, elegante, refinado. Gatos me dão o que pensar, por conta de seu comportamento não raramente fleumático. É como se não fizessem nenhum movimento inútil. Só se mexem quando têm algo a fazer, algo que sabem exatamente o que é. Até quando brincam com uma simples bolinha de papel, seus movimentos são harmoniosos e precisos. Gatos são pura sedução. Tem horas que eu chego a pensar que escravizam seus donos. Portanto, não fico nem um pouco admirada pelo fato de os antigos egípcios terem os gatos como deuses. Na verdade, não é exagero! Eles realmente eram venerados. Bastet, a deusa egípcia com cabeça de gato, era a protetora dos lares, da fertilidade e da harmonia. Os egípcios acreditavam que os gatos tinham poderes divinos, e matar um deles, mesmo que acidentalmente, era considerado crime grave. Esses felinos, com seus olhares enigmáticos e postura impecável, não só protegiam as casas dos egípcios dos roedores, mas também eram tratados como membros da família — com direito a honras na hora da morte e, acredite, até mumificação! Talvez isso explique um pouco do porquê, até hoje, eles parecem se sentir no topo do mundo. Afinal, uma vez deus, sempre deus, não é?

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

O Gato


 Faz tempo que o conheço. É um velho frequentador dos telhados da vizinhança. Não muito sociável a ponto de se deixar pegar, mas o bastante para descolar refeições em horas certas. Isso mesmo. Costuma reclamar quando não é servido na hora. Recentemente descobri que frequenta a área de serviço de um apartamento que fica ao lado do meu, só que em um prédio vizinho. Chega pela manhã, em torno das oito horas. Todavia, se não encontra a porta da cozinha aberta e alguma boa refeição já servida para ele, põe-se a miar insistentemente até ser atendido. Não é muito jovem, nem mansinho, pois, embora a foto não mostre, é cego de um olho, provavelmente por causa de alguma briga com outros gatos, eu espero, pois não descarto nunca a possibilidade de alguma maldade humana. Esta foto é rececente. Ele nem se importou muito comigo. Sei que estava olhando para a janela da minha cozinha, provavelmente interessado em alguma possível refeição. Quem sabe? Afinal, uma vez gato, sempre gato...

domingo, 16 de junho de 2024

Vizinhança

 Então, pela janela, avisto o felino. São gatos de rua, intocáveis, que vivem pelos telhados da vizinhança. São livres, tanto quanto se pode imaginar a liberdade. Muitos se aproximam dos prédios, olham pelas janelas e trocam olhares altivos com a gente. Desconfiados, é raro que se deixem tocar ou acariaciar. A maioria deles teme os humanos, e eu receio que tenham boas razões para tanto. Vivem da caça aos pássaros e também recebem porções de ração e alimentos variados que muita gente disponibiliza para eles. Quando namoram, fazem um barulho considerável, mas ninguém liga muito para os miados escandalosos e para o corre-corre nos telhados. É evidente que, não sendo castrados, multiplicam-se os gatinhos. Faz parte. Na foto, um lindo gato amarelo e branco. Não tem nome, que eu saiba. Nem dono ou, como se diz atualmente, tutor.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Coisa de gato


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Que preguiça!