Chegaram há instantes à nossa Redação imagens inéditas que certamente tranquilizarão os leitores que acompanham, com justificado interesse, os acontecimentos envolvendo a já conhecida família felina hospedada na concorridíssima pousada litorânea administrada por nosso estimado amigo Hamilton.
As cenas não deixam margem para interpretações.
Depois de uma farta refeição — cujo cardápio, por elegância, não foi oficialmente divulgado —, Amora, Leozinho e Nina protagonizaram aquilo que especialistas em relações familiares já classificam como um raro momento de absoluta concórdia doméstica.
Nenhuma disputa por almofadas.
Nenhuma corrida pelos corredores.
Nenhuma tentativa de escalada em cortinas, árvores ou móveis.
Apenas silêncio.
Muito silêncio.
Envolvidos por espessas mantas, os três ilustres hóspedes recolheram-se aos aposentos da pousada com a serenidade de quem compreende que, diante das baixas temperaturas do litoral, a convivência harmoniosa é muito mais eficiente do que qualquer demonstração de independência felina.
Chamou particularmente a atenção da reportagem a postura vigilante de Amora, posicionada em primeiro plano como quem discretamente supervisiona o descanso coletivo, enquanto Leozinho e Nina, já entregues ao irresistível torpor do pós-refeição, pareciam pouco interessados nas movimentações do mundo exterior.
Hamilton, naturalmente, observava a cena com indisfarçável satisfação.
Pessoas próximas afirmam que o venerável anfitrião limitou-se a contemplar o espetáculo, convencido de que não existe investimento mais seguro do que uma casa aquecida, barriguinhas satisfeitas e uma família reunida.
A fotografia, aliás, revela algo que dispensa qualquer legenda: certos luxos não dependem de tapetes persas, cristais franceses ou mobiliário assinado. Às vezes, bastam uma manta macia, o frio do lado de fora e a certeza de que todos estão exatamente onde desejam estar.
EM TEMPO: Informações de bastidores dão conta de que o clima de absoluta paz permaneceu até o momento em que um dos presentes cogitou levantar-se para beber água. A proposta foi imediatamente rejeitada por unanimidade. Afinal, em noites como estas, qualquer deslocamento exige esforço incompatível com a dignidade felina.

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