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terça-feira, 2 de junho de 2026

EM SOCIEDADE: JUSTINE

Sociedade é assim mesmo. Quando pensamos já ter visto de tudo, surge uma surpresa capaz de movimentar conversas, despertar curiosidades e monopolizar atenções.

E é exatamente o caso de Justine.

Se ainda não ouviram falar dela, ouvirão. E muito.

Não se sabe ao certo de onde veio. Não há registros precisos, documentos ou testemunhos definitivos. O fato concreto é que ela apareceu. E, desde então, acontece.

Justine, elegantíssima gata negra de olhos cor de topázio, tornou-se ninguém menos que a soberana absoluta da refinada residência de nosso amigo Sérgio — esportista, financista e figura conhecida pela discrição impecável que sempre marcou seu estilo de vida.

Quem diria?

A casa que durante anos foi sinônimo de reserva e privacidade agora abriga uma rainha.

Para ela, os melhores sachês.

Para ela, os mais sofisticados brinquedos.

Para ela, o maior e mais belo arranhador disponível no mercado.

Para ela, uma cama luxuosa, revestida de veludo e cetim.

Aliás, sobre a cama, um detalhe revelador da personalidade da dama: foi solenemente ignorada. Justine preferiu instalar-se em uma velha caixa de papelão.

Sim.

Uma caixa de papelão.

E, para perplexidade de visitantes habituados ao impecável padrão estético da residência, a referida caixa ocupa hoje posição de destaque na sala principal.

Consta, ainda, que diversos acessórios passaram a integrar a decoração da casa. Todos, sem exceção, destinados ao conforto e bem-estar de Sua Majestade Felina.

Nosso amigo Sérgio, ao que parece, não mede esforços para agradar aquela que já começa a ser chamada nos círculos mais atentos de "a Primeira-Dama da Zona Sul".

Mas há mais.

Chegam comentários à redação praticamente todos os dias.

E seria omissão jornalística não registrá-los.

As especulações não dizem respeito apenas à misteriosa origem da felina. Comentam-se também suas discretíssimas saídas noturnas.

Segundo vizinhos atentos — e vizinhos atentos sempre existem —, enquanto seu dedicado anfitrião entrega-se ao sono dos justos, Justine percorre telhados, muros e jardins da vizinhança em longas incursões noturnas.

Retorna apenas pela manhã.

Exige água fresca.

Reivindica sachês especiais.

Solicita conforto.

E demonstra absoluta indiferença ao estado emocional daqueles que passaram a madrugada preocupados com seu paradeiro.

Cumpridas as formalidades, recolhe-se aos aposentos e dorme tranquilamente até o meio da tarde.

Informações mais recentes dão conta de que sistemas de monitoramento e câmeras de segurança foram incorporados à rotina da residência para que nada falte à ilustre moradora.

Um tratamento digno de chefe de Estado.

Ou quase.

Uma coisa é certa: Justine ainda dará muito o que falar.

Pelos presentes que acumula.

Pelos cuidados que recebe.

Pela personalidade que exibe.

E, sobretudo, pelo mistério que continua a cercá-la.

Esta coluna tem a satisfação de registrar sua estreia social e publicar, pela primeira vez, a imagem desta dama cuja trajetória promete render muitos capítulos.

À Justine! Tim-tim.

EM TEMPO: Aumentam as preocupações nos círculos mais próximos de Sérgio. A misteriosa Justine segue ampliando sua área de influência na elegante residência da Zona Sul.  Familiares e representantes da vida afetiva do anfitrião acompanham os acontecimentos com cautela. Até o fechamento desta edição, todas as tentativas de negociação haviam fracassado. Justine foi encontrada dormindo sobre uma almofada alheia, da qual tomou posse sem apresentar qualquer documento comprobatório de propriedade. Nosso amigo Sérgio — comenta-se —, parece indiferente às opiniões alheias, e repele friamente qualquer tentativa de crítica ou questionamento às vontades de Justine. Enfim, amigos, a regra agora é simples:  o que Justine quer, Justine tem. 

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