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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Gatos: sedução e mistério



Meus amigos, são tantos gatos por aqui ultimamente, que este blog — não obstante tenha surgido para homenagear os cachorros e seus donos — não pode deixar de trazer algo especial sobre os sedutores felinos. Há toda uma história que, no fundo, tenta explicar a razão pela qual se ama tanto esses animais lânguidos, individualistas até o egoísmo, indubitavelmente encantadores e invariavelmente belos, elegantes e, não raro, soberbos.

Bem, sendo como são, não espanta que tenham atraído a atenção e adquirido até mesmo fama de animais mágicos. Por conta disso, achei interessante trazer aos queridos leitores e visitantes desse blog algo sobre gatos... de uma fonte verdadeiramente misteriosa. O famoso Dicionário Infernal é uma compilação de lendas, crenças e superstições, a exemplo das grandes obras do enciclopedismo francês. São milhares de monstros, demônios e mitos reunidos. Consultando essa curiosíssima obra (em sua célebre 6ª edição de 1863), descobri que os nossos bichanos têm um histórico, digamos... de arrepiar os pelos!

Se você acha que o seu gato tem "manias estranhas", espere até ver o que as lendas antigas diziam sobre eles.

Na antiguidade, mexer com um gato era problema gravíssimo. O dicionário relata que no Egito Antigo, um soldado romano matou um gato por acidente e, mesmo com o próprio rei tentando acalmar os ânimos, a população revoltada não perdoou o homem. O curioso? Os egípcios eram homens da ciência, tinham a imensa Biblioteca de Alexandria, mas não deixavam de adorar seus felinos!

E por falar em prestígio, reza a lenda que o profeta Maomé tinha tanto respeito pelo seu gato que, ao vê-lo dormindo profundamente sobre a manga de sua veste na hora da oração, preferiu cortar o pedaço da roupa a acordar o bicho. Ao voltar, o gato agradeceu fazendo uma bela reverência de costas arqueadas (o famoso "gato gordo"). Maomé ficou tão tocado que garantiu um lugar para o felino no paraíso e, ao passar a mão três vezes pelas suas costas, deu a todos os gatos o poder mágico de sempre caírem de pé.

Agora está explicado de onde vem tanta agilidade (e audácia)!

Mas nem tudo eram flores. Sendo o Dicionário Infernal, a coisa também fica um pouco assustadora. Antigamente, qualquer reunião de gatos à noite já era vista com desconfiança. O livro narra a história de um castelo abandonado em Vernon, em 1566, onde diziam que bruxas se transformavam em gatos para passar a noite. Quatro homens corajosos decidiram dormir lá e foram atacados por uma multidão de felinos ferozes. No dia seguinte, descobriu-se que algumas mulheres da cidade apareceram machucadas exatamente onde os homens tinham golpeado os gatos! O mesmo aconteceu com um lavrador perto de Estrasburgo: ele se defendeu de três gatos grandes e acabou preso porque o juiz disse que ele tinha agredido "três damas da sociedade". Só foi solto porque provou que, na verdade, eram felinos (e que o diabo estava metido no meio).


E para os marinheiros americanos daquela época, a regra era clara: nunca, em hipótese alguma, jogue um gato vivo ao mar, ou uma tempestade furiosa engolirá o navio na mesma hora!

Como vocês podem ver, os gatos sempre dominaram o mundo — seja no Egito, nas lendas de mistério ou no sofá da sua sala, exigindo sachê como se fossem divindades. Eles mudaram a história, sobreviveram às superstições e continuam encantando os nossos dias (e invadindo este blog!).

E o seu gatinho? Tem cara de quem já frequentou um castelo misterioso ou só quer dormir na sua manga de blusa mesmo? 

 

COLLIN DE PLANCY, Jacques Albin Simon. Dictionnaire infernal: répertoire universel des êtres, des personnages, des livres, des faits et des choses qui tiennent aux apparitions, aux divinations, à la magie, au commerce de l'enfer, aux démons, aux sorciers, aux sciences occultes, etc. 6. ed. Paris: Henri Plon, 1863. 

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