Sociedade é assim mesmo. Quando
pensamos já ter visto de tudo, surge uma surpresa capaz de movimentar
conversas, despertar curiosidades e monopolizar atenções.
E é exatamente o caso de
Justine.
Se ainda não ouviram falar
dela, ouvirão. E muito.
Não se sabe ao certo de onde
veio. Não há registros precisos, documentos ou testemunhos definitivos. O fato
concreto é que ela apareceu. E, desde então, acontece.
Justine, elegantíssima gata
negra de olhos cor de topázio, tornou-se ninguém menos que a soberana absoluta
da refinada residência de nosso amigo Sérgio — esportista, financista e figura
conhecida pela discrição impecável que sempre marcou seu estilo de vida.
Quem diria?
A casa que durante anos foi
sinônimo de reserva e privacidade agora abriga uma rainha.
Para ela, os melhores sachês.
Para ela, os mais sofisticados
brinquedos.
Para ela, o maior e mais belo
arranhador disponível no mercado.
Para ela, uma cama luxuosa,
revestida de veludo e cetim.
Aliás, sobre a cama, um detalhe
revelador da personalidade da dama: foi solenemente ignorada. Justine preferiu
instalar-se em uma velha caixa de papelão.
Sim.
Uma caixa de papelão.
E, para perplexidade de
visitantes habituados ao impecável padrão estético da residência, a referida
caixa ocupa hoje posição de destaque na sala principal.
Consta, ainda, que diversos
acessórios passaram a integrar a decoração da casa. Todos, sem exceção,
destinados ao conforto e bem-estar de Sua Majestade Felina.
Nosso amigo Sérgio, ao que
parece, não mede esforços para agradar aquela que já começa a ser chamada nos
círculos mais atentos de "a Primeira-Dama da Zona Sul".
Mas há mais.
Chegam comentários à redação
praticamente todos os dias.
E seria omissão jornalística
não registrá-los.
As especulações não dizem
respeito apenas à misteriosa origem da felina. Comentam-se também suas
discretíssimas saídas noturnas.
Segundo vizinhos atentos — e
vizinhos atentos sempre existem —, enquanto seu dedicado anfitrião entrega-se
ao sono dos justos, Justine percorre telhados, muros e jardins da vizinhança em
longas incursões noturnas.
Retorna apenas pela manhã.
Exige água fresca.
Reivindica sachês especiais.
Solicita conforto.
E demonstra absoluta
indiferença ao estado emocional daqueles que passaram a madrugada preocupados
com seu paradeiro.
Cumpridas as formalidades,
recolhe-se aos aposentos e dorme tranquilamente até o meio da tarde.
Informações mais recentes dão
conta de que sistemas de monitoramento e câmeras de segurança foram
incorporados à rotina da residência para que nada falte à ilustre moradora.
Um tratamento digno de chefe de
Estado.
Ou quase.
Uma coisa é certa: Justine
ainda dará muito o que falar.
Pelos presentes que acumula.
Pelos cuidados que recebe.
Pela personalidade que exibe.
E, sobretudo, pelo mistério que
continua a cercá-la.
Esta coluna tem a satisfação de
registrar sua estreia social e publicar, pela primeira vez, a imagem desta dama
cuja trajetória promete render muitos capítulos.
À Justine! Tim-tim.
EM TEMPO: Aumentam as preocupações nos círculos mais próximos de Sérgio. A misteriosa Justine segue ampliando sua área de influência na elegante residência da Zona Sul. Familiares e representantes da vida afetiva do anfitrião acompanham os acontecimentos com cautela. Até o fechamento desta edição, todas as tentativas de negociação haviam fracassado. Justine foi encontrada dormindo sobre uma almofada alheia, da qual tomou posse sem apresentar qualquer documento comprobatório de propriedade. Nosso amigo Sérgio — comenta-se —, parece indiferente às opiniões alheias, e repele friamente qualquer tentativa de crítica ou questionamento às vontades de Justine. Enfim, amigos, a regra agora é simples: o que Justine quer, Justine tem.