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domingo, 16 de agosto de 2026

Em Sociedade: Zarah e o Sofá

Nossa Redação volta suas atenções, em caráter de absoluta urgência, para mais um episódio envolvendo a já conhecida e inquieta família do estimado Hamilton.

Desta vez, o caso é grave.
Muito grave. E envolve um sofá.

Azul-claro. Lindo. Confortável. Elegante peça de mobiliário que, até recentemente, ocupava lugar de destaque nos aposentos da família. O sofá, segundo apurou esta coluna, encontrava-se devidamente protegido por uma delicada manta decorativa.

Encontrava-se. Porque tudo mudou. Em circunstâncias ainda cercadas de mistério, a jovem Zarah teria retirado a referida manta e, tomada por ímpeto cuja origem esta Redação ainda procura compreender, lançou-se furiosamente contra a cobertura do móvel. O que se seguiu foi de proporções dramáticas. Rasgou. Estrebuchou. Investiu.

E, não satisfeita, promoveu verdadeira operação de engenharia reversa, expondo e destroçando o recheio de espuma que sustentava o conforto da peça.

As imagens são impressionantes. Há espuma. Muita espuma. Há tecidos espalhados. Há sinais inequívocos de que alguma coisa muito séria aconteceu naquele recinto. E há, sobretudo, uma pergunta que não quer calar: Por quê? Nossa Redação, como sempre, foi atrás da verdade.

E as primeiras informações obtidas indicam que Zarah talvez não tenha agido sozinha. Fontes próximas da família sustentam que os irmãos felinos — Amora, Leozinho e Nina — teriam participado, em maior ou menor grau, da operação.

A extensão da participação de cada um ainda está sendo investigada.

Mas o que já se sabe é suficientemente perturbador.

Amora, inclusive, teria elevado o nível da ocorrência a patamares até então desconhecidos.

Segundo relatos, a distinta senhora felina teria escolhido justamente a cama do venerável Hamilton e de sua excelentíssima esposa, a querida Tânia, para deixar uma espécie de manifestação de protesto de natureza absolutamente orgânica.

O episódio, compreensivelmente, deixou o casal desolado.

Hamilton e Tânia, procurados por esta coluna, preferiram não comentar o assunto.


Fontes próximas, contudo, garantem que ambos se encontram particularmente preocupados com a filha Zarah. A grande questão, neste momento, seria descobrir qual o tratamento mais adequado para a síndrome que acomete a jovem.

Há esperança de que seja passageira.

Oremos.

Mas esta Redação descobriu um dado que pode alterar substancialmente a compreensão dos acontecimentos.

Tudo teria começado com uma ausência. Hamilton e Tânia, acostumados a proporcionar à prole atenção permanente, mimos constantes, alimentação servida em condições absolutamente privilegiadas, carinhos em profusão e, sobretudo, o tradicional sobe e desce da cama dos pais, decidiram, em determinado momento, ausentar-se dos aposentos familiares.

Foram passar a noite a sós.

Numa linda cabana.

A sós. Sem Zarah. Sem Amora. Sem Leozinho. Sem Nina.

A decisão a dois, ao que parece, não foi bem recebida. Acostumada à presença permanente dos pais, a jovem Zarah teria experimentado sentimentos profundos de carência e solidão.

E, diante da ausência das figuras parentais, teria decidido tomar providências. Chamou os irmãos à desordem. O sofá pagou a conta. A cama matrimonial também. E a casa, como um todo, conheceu momentos de tensão que esta coluna prefere classificar como “delicados”.

Especialistas consultados informalmente por esta Redação acreditam que o episódio possa estar relacionado à dificuldade de alguns membros da família em administrar a súbita privação de carinho, colo e privilégios domésticos.

Nada, portanto, estaria relacionado à maldade. Seria amor. Amor em excesso. Amor mal administrado. Amor com espuma.

Nossa Redação, naturalmente, não pretende condenar ninguém antes da conclusão das investigações. Zarah é uma jovem de reconhecida beleza, dona de um olhar capaz de comover até os mais rigorosos observadores. Sua trajetória anterior, registre-se, não apresentava ocorrências desta magnitude.

Esta coluna acredita, portanto, na recuperação da jovem dama. Quanto aos irmãos felinos, permanecem sob investigação. Até o fechamento desta edição, nenhum deles havia prestado depoimento. Nem demonstrado qualquer arrependimento.

EM TEMPO: Nossa Redação já disponibilizou o vídeo que documenta parte dos acontecimentos. As imagens são fortes e devem ser vistas com a serenidade recomendada para casos desta natureza. O sofá, infelizmente, não resistiu. Zarah, por sua vez, permanece aparentemente tranquila. Como quem sabe que fez o que fez por uma causa maior. E talvez tenha até uma última coisa a dizer aos pais: da próxima vez, pensem duas vezes antes de passar a noite fora.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Zarah fazendo a festa!


 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

EM SOCIEDADE: RODRIGO E FILOMENA

Tudo indica que nosso Blog do Alex acaba de ultrapassar, em definitivo, as fronteiras dos pampas sul-rio-grandenses.

Nossa Redação tem a satisfação — e não escondemos certo orgulho — de inaugurar, nesta edição, sua mais nova correspondente felina em terras baianas.

As imagens que hoje publicamos chegam diretamente da histórica cidade de Euclides da Cunha, na Bahia, gentilmente franqueadas à nossa equipe pelo renomado jornalista e editor da tradicional Revista Vida Brasil, Celso Mathias, que abriu, com a elegância dos grandes anfitriões, as portas de sua residência para apresentar aos nossos leitores duas figuras que, desde já, prometem ocupar lugar de destaque em nossa seleta coluna social.

Falamos do elegantíssimo Rodrigo.

Louríssimo.

Distinto.

Portador daquele ar de quem parece ter nascido convencido de sua própria importância.

Ao seu lado, porém, surge Filomena.

E aqui a discrição cede espaço à espontaneidade.

Filomena parece desconhecer completamente as rígidas regras do protocolo social. Exibe-se com desenvoltura, ocupa os espaços com absoluta naturalidade e transmite a inequívoca impressão de que simpatia também pode ser um atributo aristocrático.

Fontes muito próximas da família asseguram que ambos desfrutam de uma existência marcada pela tranquilidade, cercados pelos cuidados de Celso, de sua elegante esposa Sara e do herdeiro Ricardo, compondo um daqueles lares em que a paz parece fazer parte da decoração.

Poucos sabem, aliás, que Celso percorreu o Brasil e o exterior ao longo de uma carreira respeitada no jornalismo, convivendo com personalidades dos mais diversos círculos sociais. Hoje, entretanto, escolheu a serenidade do sertão baiano, onde história, cultura e afeto caminham lado a lado.

É precisamente nesse cenário que Rodrigo e Filomena exercem, com admirável competência, suas relevantes funções institucionais de supervisionar ambientes, fiscalizar o conforto da residência e assegurar que toda manifestação de carinho seja prontamente correspondida — ou solenemente ignorada, conforme as conveniências felinas do momento.

As fotografias que ilustram esta reportagem parecem confirmar aquilo que nossa Redação sempre sustentou: elegância, personalidade e vocação para a vida em sociedade independem de latitude.

Da Zona Sul do Rio Grande do Sul ao sertão da Bahia, os grandes personagens encontram naturalmente o caminho das boas colunas.

EM TEMPO: A Redação informa que já trabalha para ampliar sua cobertura nacional. Correspondentes felinos de outras unidades da Federação passam, desde já, a ser considerados de alto interesse jornalístico. Afinal, a vida em sociedade não conhece fronteiras.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

EM SOCIEDADE: ZARAH E A CUSTOMIZAÇÃO


Nossa Redação volta suas atenções, desta vez, para a mais recente integrante da já conhecida família do estimado Hamilton.

Seu nome é Zarah.

Belíssima.

Elegante.

Dona de um olhar capaz de conquistar simpatias instantaneamente.

É verdade que sua passagem pela linhagem border collie parece conferir à jovem dama certo temperamento particularmente expansivo, circunstância que vem despertando crescente interesse entre os observadores mais atentos.

Os primeiros acontecimentos relevantes, aliás, não tardaram a surgir.

Praticamente no fechamento desta edição, nos veio esta documentação fotográfica que, em tese, demonstraria a quase completa destruição de uma camiseta pertencente ao venerável papai Hamilton.

As imagens impressionam.

Segundo os relatos iniciais, o episódio teria provocado discretos momentos de perplexidade nos aposentos da família.

Esta coluna, contudo, jamais publica informações sem ouvir o outro lado.

E foi exatamente o que fizemos.

Acionada imediatamente, a assessoria de imprensa de Zarah encaminhou esclarecimento que altera substancialmente a compreensão dos fatos.

Segundo a nota oficial, jamais existiu qualquer intenção destrutiva.

A camiseta não foi danificada.

Foi personalizada.

Tratar-se-ia, na realidade, de um criterioso trabalho de customização têxtil executado com técnicas autorais ainda pouco compreendidas pelo grande público.

Os pequenos recortes, fios aparentes e discretas intervenções na malha representariam apenas uma sofisticada manifestação de afeto.

Uma obra.

Quase uma instalação artística.

Hamilton, naturalmente, foi informado de que passava a ser proprietário de uma peça absolutamente exclusiva, impossível de ser reproduzida pela indústria da moda convencional.

Especialistas consultados por esta coluna lembram, inclusive, que o amor verdadeiro nem sempre se manifesta por meios tradicionais.

Às vezes chega em forma de lambidas.

Outras, de ronronados.

E, em casos muito particulares, mediante criteriosa reinterpretação do vestuário de quem se ama.

A fotografia enviada à Redação parece confirmar essa tese.

Zarah exibe a tranquilidade de quem tem plena convicção de haver prestado um inestimável serviço ao guarda-roupa da família.

EM TEMPO: Até o encerramento desta edição, Hamilton permanecia contemplando a camiseta com sentimentos aparentemente contraditórios. Fontes próximas garantem que, após alguns instantes de reflexão, prevaleceu a interpretação defendida pela assessoria de Zarah. Afinal, certas demonstrações de carinho deixam marcas. Algumas delas... permanentes.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Pastor Alemão: um clássico


 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

EM SOCIEDADE: Vocês se lembram do Melo?



Lembram-se do Melo? Aquele que é, indiscutivelmente, o vira-lata caramelo mais famoso e charmoso do Arpoador? Pois bem! Nossa redação pode agora atualizar o status desse legítimo street dog que reflete, com fidalguia e pose de lorde, o mais puro suco da malandragem estilo caramelo.

Nossa fonte? Da mais alta fidelidade! Quem nos conta tudo é ninguém menos que a elegante amiga Celina. Ela nos reportou que o sedutor de quatro patas tomou as rédeas e virou o verdadeiro rei do seu novo lar de adoção. Um luxo!

Como esta coluna antecipou, o Melo foi acolhido pelos braços generosos da querida Inês — uma dama que brilha na sociedade pelo espírito acolhedor, pelo desprendimento e pelo carinho extremo que dedica aos seres vivos. Um coração de ouro! E olha que aceitar o Melo no clã exige desprendimento de alto nível. Tudo por conta de uma certa compulsão... como direi?... "redecoradora" do nosso rapaz. Melo tinha a aflitiva mania de roer móveis. E detalhe: móveis seletíssimos, daqueles assinados e de alto valor! Mas... noblesse oblige! Cavalheiro não tem memória e a nossa coluna joga uma cortina de fumaça sobre aquela poltrona de couro legítimo de um badalado designer nacional... Disparates do passado! Passado é poeira!

O babado forte do momento, no entanto, é a convivência do nosso golden boy de praia com o irmão mais velho da casa, o veterano e idoso Lilico, filho legítimo e companheiro de Inês. Lilico, sempre viu o Melo como um intruso na high society doméstica. Lilico não quer saber de diplomacia. Sorrir para o Melo? Jamais! O máximo de simpatia que Lilico demonstra é mostrar os dentinhos num rosnado bem aristocrático. E o Melo? Faz a linha "sou egípcio". Melo ignora o pequeno e passa direto com o nariz empinado. Chic até na indiferença!

Embora nosso Meliante do Arpoador tenha dado um tempo na destruição do mobiliário ― bola branca para ele! ― impôs à querida Inês o cumprimento de uma rotina digna de um paxá. Dormir na própria caminha? Nem pensar! O rapaz exige lençóis de muitos fios. E tem mais: pontualmente às quatro da madrugada, o relógio biológico do caramelo desperta e ele exige — eu disse exige! — que Inês o acompanhe até os jardins da maison para respirar o ar fresco do dawn  do Arpoador e fazer o seu xixi matinal. Depois, volta aos aposentos reais para o sono dos justos.

É o Melo, meus queridos! Um autêntico caramelo que faz a sua própria moda, dita as suas próprias leis e continua abalando as estruturas do Arpoador.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

O Lepidóptero

 Em homenagem à inesperada e honrosa visita de uma borboleta. 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

O Abusado


 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Em Sociedade: Justine e a Lareira

Os acontecimentos envolvendo Justine acabam de ingressar em uma fase particularmente delicada.

Nossa Redação, fiel ao compromisso com a prudência jornalística, informa que passou a receber relatos cuja confirmação exige extrema cautela.

As informações são sensíveis.

E, justamente por isso, merecem tratamento compatível com a seriedade dos fatos.

A primeira delas diz respeito ao rigoroso protocolo de inverno aparentemente adotado na elegante residência de nosso sempre discretíssimo amigo Sérgio.

Segundo fontes cuja credibilidade esta coluna aprendeu a respeitar, a lareira deixou de ser mero elemento decorativo.

Passou a integrar a rotina oficial da ilustre moradora.

Consta que, nas noites frias, Justine aprecia realizar suas refeições em ambiente cuidadosamente aquecido, circunstância que teria levado à aquisição de lenha de categoria superior — daquela selecionada por não produzir fumaça excessiva nem odores capazes de comprometer a atmosfera de requinte que Sua Majestade considera compatível com o jantar.

Naturalmente, esta coluna limita-se ao relato dos fatos.

Também chegaram à Redação comentários sobre discretas manifestações de preocupação entre pessoas muito próximas ao anfitrião.

Nada, entretanto, que permita qualquer conclusão precipitada.

Como é de conhecimento público, toda personalidade de grande projeção desperta sentimentos variados em seu círculo de convivência.

Seria irresponsável atribuir-lhes qualquer natureza específica.

Outro dado, porém, parece incontroverso.

A eminente Dra. Ângela, respeitadíssima nos meios jurídicos da Capital e reconhecida por sua atuação na área de Família e Sucessões, teria aceitado, em caráter absolutamente informal — e sob o mais rigoroso sigilo profissional —, acompanhar de perto os interesses institucionais da célebre felina.

Não se fala em litígios.

Fala-se apenas em prudência.

A experiência recomenda que patrimônios afetivos de grande relevância sejam sempre acompanhados por profissionais de reconhecida competência.

Enquanto isso, os investimentos prosseguem.

Além dos já conhecidos sachês especiais, petiscos selecionados, vitaminas e água mineral — dizem alguns que Justine teria desenvolvido inequívoca preferência pelas tradicionais garrafinhas verdes, informação que esta coluna ainda busca confirmar —, chega agora a notícia de que foi organizada uma sofisticada estrutura de apoio destinada exclusivamente ao conforto da distinta dama durante as viagens profissionais de Sérgio.

Há quem fale na contratação de uma cuidadora dedicada.

Há quem mencione monitoramento eletrônico permanente.

O fato concreto é que, mesmo distante, o dedicado anfitrião acompanha atentamente os movimentos de Justine por intermédio das câmeras instaladas na residência, certificando-se de que absolutamente nada perturbe a rotina da mais célebre moradora da casa.

A fotografia que ilustra esta nota parece sintetizar toda a situação.

Enquanto a lenha aguarda serenamente sua nobre missão, Justine repousa com a tranquilidade de quem jamais cogitou a hipótese de passar frio.

E talvez essa seja a maior demonstração de autoridade já registrada por esta coluna.

EM TEMPO: A Redação reafirma seu compromisso com a mais absoluta imparcialidade. Toda informação aqui publicada decorre exclusivamente de fotografias, documentos, observações e fontes cuja identidade permanecerá protegida. Como de hábito, a assessoria de Justine preferiu não comentar. Limitou-se a olhar discretamente para a lareira, como quem aguardava apenas a confirmação de que o fogo seria aceso no horário regulamentar.


terça-feira, 16 de junho de 2026

Em Sociedade: Alice e Sophia

O seleto público que acompanha esta coluna certamente ainda se recorda do episódio que provocou discretos comentários nos melhores salões da cidade.

Foi quando a jovem Alice Flores, herdeira de distinta linhagem felina, surpreendeu familiares e observadores ao abandonar, sem qualquer justificativa plausível, almofadas, mantas e confortos cuidadosamente selecionados para instalar-se, com indisfarçável entusiasmo, numa singela caixa de papelão destinada ao descarte. O episódio foi discretamente comentado nesta coluna em fevereiro deste ano.

Especialistas em comportamento felino-social foram unânimes: tratava-se de um típico arroubo da adolescência.

O tempo, entretanto, esse conselheiro silencioso, parece ter cumprido seu papel.

Chega agora à nossa redação um novo e alentador registro.

Na fria manhã deste mês de junho, Alice aparece entregue aos prazeres da boa convivência, acomodada entre mantas macias ao lado de sua ilustre irmã, Sophia, respeitável dama felina que já soma doze anos de uma trajetória irrepreensível, marcada pela discrição, pela serenidade e pela fidelidade aos seus.

Sophia, diga-se de passagem, ostenta com admirável elegância a rara pelagem que lembra os delicados desenhos de um casco de tartaruga, privilégio quase exclusivo das fêmeas felinas e motivo permanente de admiração entre os entendidos.

Na fotografia que gentilmente chegou à nossa redação, as duas aparecem partilhando o mesmo abrigo contra o frio, numa cena de rara ternura, sem abrir mão, evidentemente, da compostura que delas se espera.

Os mais atentos observadores garantem que Alice continua sendo uma jovem de personalidade marcante. Apenas parece ter descoberto que certas tradições familiares não se estabelecem por acaso.

Quanto às caixas de papelão...

Ao que tudo indica, permanecem definitivamente fora de cogitação.

A sociedade agradece.

Em Sociedade: Sua Alteza, o discretíssimo Zé

 A coluna de hoje abre espaço para uma figura que, embora avessa aos holofotes, acabou por render-se — por um breve instante — ao registro exclusivo desta redação.

Não se deixem enganar pelo nome singelo. Chamá-lo apenas de é quase uma irreverência. Há criaturas cuja origem nobre resiste a qualquer tentativa de simplificação. E este felino é uma delas.

De linhagem evidentemente siamesa, dono de uma elegância natural e daqueles inconfundíveis olhos azuis que a natureza resolveu ornamentar com um delicado estrabismo — detalhe que apenas lhe acrescenta charme —, Sua Alteza guarda um passado digno das grandes novelas.

Ainda muito pequeno, foi encontrado num dia de frio cortante e chuva insistente, vagando sozinho por uma movimentada estrada do interior. O destino parecia cruel. Bastariam alguns segundos para que aquele pequeno novelo de pelos desaparecesse sob as rodas de algum veículo.

Mas a Providência, como sabem os leitores desta coluna, costuma escrever melhores roteiros.

Foi então que a família Grando, regressando de viagem, interrompeu imediatamente seu percurso para atender ao inesperado chamado do destino. O pequeno náufrago terrestre estava molhado, coberto de lama e praticamente sem forças. Ninguém poderia imaginar que, sob aquele aspecto miserável, escondia-se um verdadeiro aristocrata.

Conduzido a uma clínica veterinária, recebeu todos os cuidados necessários. Recuperou-se lentamente e, desde então, passou a integrar, oficialmente, a respeitável família Grando.

A adaptação, contudo, nunca lhe retirou certa aura de mistério.

Zé é reservado.

Muito reservado.

Prefere os ambientes silenciosos, aprecia a própria companhia e raramente concede o privilégio de sua presença, mesmo dividindo residência com duas distintas damas felinas: a jovem Alice e a veterana Sophia, senhora de respeitáveis doze anos de idade.

Os observadores mais atentos levantam hipóteses. Haveria lembranças de antigos sofrimentos? Abandono? Maus-tratos? Ou seria apenas o comportamento naturalmente altivo de quem jamais esqueceu pertencer à realeza?

Mistérios...

Fato é que suas aparições públicas são raríssimas.

Razão pela qual merece registro o precioso flagrante obtido pelo eminente jurista Doutor Eduardo Grando, sócio-diretor do tradicional Cestari Grando Advogados, que, gentilmente, colocou à disposição desta redação uma das raríssimas imagens do misterioso aristocrata.

Ali estava Zé, recolhido entre mantas macias, protegido do frio, olhando o mundo com seus inesquecíveis olhos azuis, discretamente vesgos, numa expressão que mistura dignidade, prudência e uma certa indiferença própria daqueles que já conheceram as adversidades da vida e aprenderam a escolher cuidadosamente suas companhias.

À imprensa, como de hábito, Sua Alteza não concedeu declarações.

Perfeitamente compreensível.

Há silêncios que também são uma forma de elegância.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Gatos: sedução e mistério



Meus amigos, são tantos gatos por aqui ultimamente, que este blog — não obstante tenha surgido para homenagear os cachorros e seus donos — não pode deixar de trazer algo especial sobre os sedutores felinos. Há toda uma história que, no fundo, tenta explicar a razão pela qual se ama tanto esses animais lânguidos, individualistas até o egoísmo, indubitavelmente encantadores e invariavelmente belos, elegantes e, não raro, soberbos.

Bem, sendo como são, não espanta que tenham atraído a atenção e adquirido até mesmo fama de animais mágicos. Por conta disso, achei interessante trazer aos queridos leitores e visitantes desse blog algo sobre gatos... de uma fonte verdadeiramente misteriosa. O famoso Dicionário Infernal é uma compilação de lendas, crenças e superstições, a exemplo das grandes obras do enciclopedismo francês. São milhares de monstros, demônios e mitos reunidos. Consultando essa curiosíssima obra (em sua célebre 6ª edição de 1863), descobri que os nossos bichanos têm um histórico, digamos... de arrepiar os pelos!

Se você acha que o seu gato tem "manias estranhas", espere até ver o que as lendas antigas diziam sobre eles.

Na antiguidade, mexer com um gato era problema gravíssimo. O dicionário relata que no Egito Antigo, um soldado romano matou um gato por acidente e, mesmo com o próprio rei tentando acalmar os ânimos, a população revoltada não perdoou o homem. O curioso? Os egípcios eram homens da ciência, tinham a imensa Biblioteca de Alexandria, mas não deixavam de adorar seus felinos!

E por falar em prestígio, reza a lenda que o profeta Maomé tinha tanto respeito pelo seu gato que, ao vê-lo dormindo profundamente sobre a manga de sua veste na hora da oração, preferiu cortar o pedaço da roupa a acordar o bicho. Ao voltar, o gato agradeceu fazendo uma bela reverência de costas arqueadas (o famoso "gato gordo"). Maomé ficou tão tocado que garantiu um lugar para o felino no paraíso e, ao passar a mão três vezes pelas suas costas, deu a todos os gatos o poder mágico de sempre caírem de pé.

Agora está explicado de onde vem tanta agilidade (e audácia)!

Mas nem tudo eram flores. Sendo o Dicionário Infernal, a coisa também fica um pouco assustadora. Antigamente, qualquer reunião de gatos à noite já era vista com desconfiança. O livro narra a história de um castelo abandonado em Vernon, em 1566, onde diziam que bruxas se transformavam em gatos para passar a noite. Quatro homens corajosos decidiram dormir lá e foram atacados por uma multidão de felinos ferozes. No dia seguinte, descobriu-se que algumas mulheres da cidade apareceram machucadas exatamente onde os homens tinham golpeado os gatos! O mesmo aconteceu com um lavrador perto de Estrasburgo: ele se defendeu de três gatos grandes e acabou preso porque o juiz disse que ele tinha agredido "três damas da sociedade". Só foi solto porque provou que, na verdade, eram felinos (e que o diabo estava metido no meio).


E para os marinheiros americanos daquela época, a regra era clara: nunca, em hipótese alguma, jogue um gato vivo ao mar, ou uma tempestade furiosa engolirá o navio na mesma hora!

Como vocês podem ver, os gatos sempre dominaram o mundo — seja no Egito, nas lendas de mistério ou no sofá da sua sala, exigindo sachê como se fossem divindades. Eles mudaram a história, sobreviveram às superstições e continuam encantando os nossos dias (e invadindo este blog!).

E o seu gatinho? Tem cara de quem já frequentou um castelo misterioso ou só quer dormir na sua manga de blusa mesmo? 

 

COLLIN DE PLANCY, Jacques Albin Simon. Dictionnaire infernal: répertoire universel des êtres, des personnages, des livres, des faits et des choses qui tiennent aux apparitions, aux divinations, à la magie, au commerce de l'enfer, aux démons, aux sorciers, aux sciences occultes, etc. 6. ed. Paris: Henri Plon, 1863. 

Em Sociedade: Justine, definitivamente!

Nossa Redação acreditava já ter revelado praticamente tudo sobre a extraordinária influência exercida por Justine na elegante residência de nosso sempre discretíssimo amigo Sérgio.

Enganávamo-nos.

Chegaram, durante a madrugada, imagens absolutamente inéditas que alteram de forma significativa o entendimento dos fatos até aqui conhecidos.

Até recentemente, lembram os leitores, Justine insistia em desprezar sua luxuosa cama de veludo e cetim para instalar-se, por livre e espontânea vontade, em uma modesta caixa de papelão cuidadosamente preservada na sala principal. Pois bem. A caixa, ao que tudo indica, já não é suficiente.

As novas fotografias revelam a ilustre dama confortavelmente acomodada... na cama de seu dedicado anfitrião.

Sim.

Na cama.

E não como mera visitante ocasional.

Observando atentamente a televisão, em posição privilegiada, como quem acompanha o noticiário para verificar se sua agenda social continua recebendo a cobertura jornalística compatível com sua crescente notoriedade.

Fontes próximas asseguram que nenhuma autorização formal foi solicitada.

Também não houve negociação.

Justine simplesmente ocupou o espaço.

E permaneceu.

Nosso amigo Sérgio, segundo relatos obtidos por esta coluna, não apenas aceitou a nova configuração dos acontecimentos como providenciou mantas adicionais para enfrentar a rigorosa noite de inverno, evitando qualquer possibilidade de desconforto à distinta ocupante.

Especialistas ouvidos reservadamente afirmam que o episódio representa um marco histórico nas relações entre humanos e felinos.

Até pouco tempo, falava-se em convivência.

Hoje, já se admite a hipótese de transferência gradual da administração da residência.

Há, inclusive, quem sustente que Sérgio deixou de ser proprietário do imóvel para assumir, em caráter definitivo, as funções de mordomo, copeiro, responsável pelo entretenimento e diretor-geral do serviço de sachês.

A fotografia parece confirmar essa tese.

Justine contempla serenamente a programação noturna, completamente integrada ao ambiente, como se aquele sempre tivesse sido o seu lugar.

E talvez tenha sido.

Apenas demoramos a perceber.

EM TEMPO: Cresce a expectativa entre leitores e observadores mais atentos quanto ao próximo passo da célebre felina. Nos corredores da Redação já circulam rumores de que a caixa de papelão poderá ser oficialmente tombada como patrimônio histórico da residência, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados durante os primeiros meses do reinado. A assessoria de Justine, naturalmente, não comentou o assunto.

domingo, 14 de junho de 2026

Em Sociedade: noites frias, corações quentes!

Chegaram há  instantes à nossa Redação imagens inéditas que certamente tranquilizarão os leitores que acompanham, com justificado interesse, os acontecimentos envolvendo a já conhecida família felina hospedada na concorridíssima pousada litorânea administrada por nosso estimado amigo Hamilton.

As cenas não deixam margem para interpretações.

Depois de uma farta refeição — cujo cardápio, por elegância, não foi oficialmente divulgado —, Amora, Leozinho e Nina protagonizaram aquilo que especialistas em relações familiares já classificam como um raro momento de absoluta concórdia doméstica.

Nenhuma disputa por almofadas.

Nenhuma corrida pelos corredores.

Nenhuma tentativa de escalada em cortinas, árvores ou móveis.

Apenas silêncio.

Muito silêncio.

Envolvidos por espessas mantas, os três ilustres hóspedes recolheram-se aos aposentos da pousada com a serenidade de quem compreende que, diante das baixas temperaturas do litoral, a convivência harmoniosa é muito mais eficiente do que qualquer demonstração de independência felina.

Chamou particularmente a atenção da reportagem a postura vigilante de Amora, posicionada em primeiro plano como quem discretamente supervisiona o descanso coletivo, enquanto Leozinho e Nina, já entregues ao irresistível torpor do pós-refeição, pareciam pouco interessados nas movimentações do mundo exterior.

Hamilton, naturalmente, observava a cena com indisfarçável satisfação.

Pessoas próximas afirmam que o venerável anfitrião limitou-se a contemplar o espetáculo, convencido de que não existe investimento mais seguro do que uma casa aquecida, barriguinhas satisfeitas e uma família reunida.

A fotografia, aliás, revela algo que dispensa qualquer legenda: certos luxos não dependem de tapetes persas, cristais franceses ou mobiliário assinado. Às vezes, bastam uma manta macia, o frio do lado de fora e a certeza de que todos estão exatamente onde desejam estar.

EM TEMPO: Informações de bastidores dão conta de que o clima de absoluta paz permaneceu até o momento em que um dos presentes cogitou levantar-se para beber água. A proposta foi imediatamente rejeitada por unanimidade. Afinal, em noites como estas, qualquer deslocamento exige esforço incompatível com a dignidade felina.

Em Sociedade: Justine

Prosseguem as movimentações envolvendo a já conhecida personalidade felina da Zona Sul.

Nossa redação recebeu, nas primeiras horas da manhã, uma imagem exclusiva de Justine, registrada poucos instantes após seu retorno de mais uma de suas comentadíssimas incursões noturnas.

Como se observa, a distinta dama aparenta absoluto esgotamento.

Fontes próximas afirmam que a chegada ocorreu em horário considerado, no mínimo, incompatível com os bons costumes domésticos. Ainda assim, não houve qualquer demonstração de arrependimento.

Ao contrário.

Justine entrou na residência com a serenidade de quem não deve explicações a ninguém.

Ignorou solenemente eventuais olhares de reprovação.

Tomou posse da primeira almofada disponível.

Esticou elegantemente uma das patas, fechou os olhos e passou a transmitir a inequívoca mensagem de que entrevistas somente seriam concedidas após novo período de descanso.

Vizinhos seguem intrigados.

Por onde andou?

Com quem esteve?

Quais importantes compromissos sociais justificariam mais uma madrugada inteira de ausência?

Nada se sabe.

E quem ousa fazer perguntas costuma receber apenas um breve movimento das orelhas, seguido do mais absoluto silêncio.

Nos bastidores da residência, comenta-se que Sérgio limitou-se a providenciar água fresca, renovar o estoque de sachês e respeitar o repouso da ilustre moradora, atitude interpretada por especialistas em comportamento felino como mais um capítulo da já consolidada política de rendição incondicional.

Observadores atentos notaram ainda um detalhe considerado revelador: a expressão de Justine lembra a de certas figuras públicas que regressam discretamente de uma longa noite de eventos, preferindo deixar que a imaginação popular faça o restante do trabalho.

Esta coluna, naturalmente, não trabalha com especulações.

Limita-se aos fatos.

E os fatos são claros.

Justine continua chegando quando bem entende.

Dorme onde lhe convém.

E segue administrando a residência com a mesma autoridade silenciosa que a transformou na mais comentada personalidade felina da temporada.

EM TEMPO: Circulam rumores de que novas imagens poderão surgir a qualquer momento. A redação permanece de plantão. Afinal, quando o assunto é Justine, qualquer cochilo pode significar perder um grande furo jornalístico.

domingo, 7 de junho de 2026

Em Sociedade: torcida VIP no Arpoador


Os salões da alta sociedade pet do Arpoador já comentam: a elegante família canina de Celina e Gustavo encontra-se oficialmente mobilizada para a Copa do Mundo.

Em clima de otimismo e vestindo as cores nacionais, Nanda, Dino e Cida já assumiram seus postos na torcida, demonstrando que patriotismo e elegância podem, sim, caminhar lado a lado.

A grande notícia, entretanto, envolve a querida Nanda. Depois dos recentes problemas de saúde que deixaram amigos, admiradores e membros da comunidade canina profundamente preocupados, a simpática mascote passa muito bem. Sempre afetuosa, ela agradece as inúmeras mensagens de carinho, apoio e votos de pronta recuperação recebidas durante o período mais delicado. Seu retorno à vida social foi recebido com entusiasmo e visível alívio.

Cida, por sua vez, mantém a discrição e a elegância que a tornaram conhecida nos círculos mais seletos. Observadores atentos, contudo, registram um pequeno afastamento dos rigores da dieta. Nada que mereça preocupação. Afinal, como todos sabem, Gustavo cultiva reconhecidos talentos gastronômicos, e a residência do casal é famosa pelos generosos comes e bebes que frequentemente encantam visitantes e convidados. Diante de circunstâncias tão favoráveis, certas concessões tornam-se perfeitamente compreensíveis.

Já Dino, paulista de nascimento e gaúcho por adoção, demonstra que a adaptação aos ventos do Sul ocorreu com absoluto sucesso. Sempre vigilante, mantém atenção permanente às irmãs gaúchas, das quais cuida com zelo admirável, embora sem abrir mão de uma saudável dose de desconfiança. Paulista é paulista. Sabe-se.

Agora resta aguardar a próxima partida, reunir a torcida, reforçar as expectativas e acreditar que os bons ventos continuem soprando a favor.

A família já está pronta.

E o Brasil também.