Discretamente, como convém aos bons salões, chegou à nossa redação um flagrante que tem provocado cochichos, olhares atravessados e algum abanar de leques imaginários. A sempre irretocável Alice Flores Grando, jovem herdeira de estirpe conhecida e presença constante nos melhores colos da casa, parece atravessar — pasmem — a clássica fase da rebeldia.
No auge de sua adolescência, e após uma vida cercada por almofadas de cetim, veludos selecionados e confortos sob medida, a senhorita surpreendeu a todos ao renunciar espontaneamente ao luxo para se acomodar, sem qualquer pudor, em caixas de papelão que haviam trazido peças de decoração para a residência de seus pais — atualmente em reforma, diga-se, dentro das mais elegantes linhas arquitetônicas contemporâneas — e que, detalhe nada irrelevante, já estavam prontas para descarte.
O flagrante, que chegou hoje à nossa redação, não nos deixa mentir. Alice aparece entregue, quase engajada, a esse novo estilo de vida despojado, flertando perigosamente com o minimalismo mais radical. Entendidos em comportamento felino-social ponderam: é a idade. Cabe agora à família compreender, aguardar e torcer para que essa inclinação pelas coisas simples seja apenas uma fase passageira na trajetória dessa querida jovem.
Porque, afinal, Alice é de berço.
Em tempo: fontes garantem que as almofadas seguem intactas. Por enquanto.

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