Nossa Redação volta suas atenções, em caráter de absoluta urgência, para mais um episódio envolvendo a já conhecida e inquieta família do estimado Hamilton.
Desta vez, o caso é grave.
Muito grave. E envolve um sofá.
Azul-claro. Lindo. Confortável. Elegante peça de mobiliário que, até recentemente, ocupava lugar de destaque nos aposentos da família. O sofá, segundo apurou esta coluna, encontrava-se devidamente protegido por uma delicada manta decorativa.
Encontrava-se. Porque tudo mudou. Em circunstâncias ainda cercadas de mistério, a jovem Zarah teria retirado a referida manta e, tomada por ímpeto cuja origem esta Redação ainda procura compreender, lançou-se furiosamente contra a cobertura do móvel. O que se seguiu foi de proporções dramáticas. Rasgou. Estrebuchou. Investiu.
E, não satisfeita, promoveu verdadeira operação de engenharia reversa, expondo e destroçando o recheio de espuma que sustentava o conforto da peça.
As imagens são impressionantes. Há espuma. Muita espuma. Há tecidos espalhados. Há sinais inequívocos de que alguma coisa muito séria aconteceu naquele recinto. E há, sobretudo, uma pergunta que não quer calar: Por quê? Nossa Redação, como sempre, foi atrás da verdade.
E as primeiras informações obtidas indicam que Zarah talvez não tenha agido sozinha. Fontes próximas da família sustentam que os irmãos felinos — Amora, Leozinho e Nina — teriam participado, em maior ou menor grau, da operação.
A extensão da participação de cada um ainda está sendo investigada.
Mas o que já se sabe é suficientemente perturbador.
Amora, inclusive, teria elevado o nível da ocorrência a patamares até então desconhecidos.
Segundo relatos, a distinta senhora felina teria escolhido justamente a cama do venerável Hamilton e de sua excelentíssima esposa, a querida Tânia, para deixar uma espécie de manifestação de protesto de natureza absolutamente orgânica.
O episódio, compreensivelmente, deixou o casal desolado.
Hamilton e Tânia, procurados por esta coluna, preferiram não comentar o assunto.
Fontes próximas, contudo, garantem que ambos se encontram particularmente preocupados com a filha Zarah. A grande questão, neste momento, seria descobrir qual o tratamento mais adequado para a síndrome que acomete a jovem.
Há esperança de que seja passageira.
Oremos.
Mas esta Redação descobriu um dado que pode alterar substancialmente a compreensão dos acontecimentos.
Tudo teria começado com uma ausência. Hamilton e Tânia, acostumados a proporcionar à prole atenção permanente, mimos constantes, alimentação servida em condições absolutamente privilegiadas, carinhos em profusão e, sobretudo, o tradicional sobe e desce da cama dos pais, decidiram, em determinado momento, ausentar-se dos aposentos familiares.
Foram passar a noite a sós.
Numa linda cabana.
A sós. Sem Zarah. Sem Amora. Sem Leozinho. Sem Nina.
A decisão a dois, ao que parece, não foi bem recebida. Acostumada à presença permanente dos pais, a jovem Zarah teria experimentado sentimentos profundos de carência e solidão.
E, diante da ausência das figuras parentais, teria decidido tomar providências. Chamou os irmãos à desordem. O sofá pagou a conta. A cama matrimonial também. E a casa, como um todo, conheceu momentos de tensão que esta coluna prefere classificar como “delicados”.
Especialistas consultados informalmente por esta Redação acreditam que o episódio possa estar relacionado à dificuldade de alguns membros da família em administrar a súbita privação de carinho, colo e privilégios domésticos.
Nada, portanto, estaria relacionado à maldade. Seria amor. Amor em excesso. Amor mal administrado. Amor com espuma.
Nossa Redação, naturalmente, não pretende condenar ninguém antes da conclusão das investigações. Zarah é uma jovem de reconhecida beleza, dona de um olhar capaz de comover até os mais rigorosos observadores. Sua trajetória anterior, registre-se, não apresentava ocorrências desta magnitude.
Esta coluna acredita, portanto, na recuperação da jovem dama. Quanto aos irmãos felinos, permanecem sob investigação. Até o fechamento desta edição, nenhum deles havia prestado depoimento. Nem demonstrado qualquer arrependimento.
EM TEMPO: Nossa Redação já disponibilizou o vídeo que documenta parte dos acontecimentos. As imagens são fortes e devem ser vistas com a serenidade recomendada para casos desta natureza. O sofá, infelizmente, não resistiu. Zarah, por sua vez, permanece aparentemente tranquila. Como quem sabe que fez o que fez por uma causa maior. E talvez tenha até uma última coisa a dizer aos pais: da próxima vez, pensem duas vezes antes de passar a noite fora.


Nenhum comentário:
Postar um comentário