Lembram-se do Melo? Aquele que é, indiscutivelmente, o vira-lata caramelo mais famoso e charmoso do Arpoador? Pois bem! Nossa redação pode agora atualizar o status desse legítimo street dog que reflete, com fidalguia e pose de lorde, o mais puro suco da malandragem estilo caramelo.
Nossa fonte? Da mais alta fidelidade! Quem nos conta tudo é ninguém menos que a elegante amiga Celina. Ela nos reportou que o sedutor de quatro patas tomou as rédeas e virou o verdadeiro rei do seu novo lar de adoção. Um luxo!
Como esta coluna antecipou, o Melo foi acolhido pelos braços generosos da querida Inês — uma dama que brilha na sociedade pelo espírito acolhedor, pelo desprendimento e pelo carinho extremo que dedica aos seres vivos. Um coração de ouro! E olha que aceitar o Melo no clã exige desprendimento de alto nível. Tudo por conta de uma certa compulsão... como direi?... "redecoradora" do nosso rapaz. Melo tinha a aflitiva mania de roer móveis. E detalhe: móveis seletíssimos, daqueles assinados e de alto valor! Mas... noblesse oblige! Cavalheiro não tem memória e a nossa coluna joga uma cortina de fumaça sobre aquela poltrona de couro legítimo de um badalado designer nacional... Disparates do passado! Passado é poeira!
O babado forte do momento, no entanto, é a convivência do nosso golden boy de praia com o irmão mais velho da casa, o veterano e idoso Lilico, filho legítimo e companheiro de Inês. Lilico, sempre viu o Melo como um intruso na high society doméstica. Lilico não quer saber de diplomacia. Sorrir para o Melo? Jamais! O máximo de simpatia que Lilico demonstra é mostrar os dentinhos num rosnado bem aristocrático. E o Melo? Faz a linha "sou egípcio". Melo ignora o pequeno e passa direto com o nariz empinado. Chic até na indiferença!
Embora nosso Meliante do Arpoador tenha dado um tempo na destruição do mobiliário ― bola branca para ele! ― impôs à querida Inês o cumprimento de uma rotina digna de um paxá. Dormir na própria caminha? Nem pensar! O rapaz exige lençóis de muitos fios. E tem mais: pontualmente às quatro da madrugada, o relógio biológico do caramelo desperta e ele exige — eu disse exige! — que Inês o acompanhe até os jardins da maison para respirar o ar fresco do dawn do Arpoador e fazer o seu xixi matinal. Depois, volta aos aposentos reais para o sono dos justos.
É o Melo, meus queridos! Um autêntico caramelo que faz a sua própria moda, dita as suas próprias leis e continua abalando as estruturas do Arpoador.

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